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de janeiro e agosto de 2009, museu da maré

Museu da Maré

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Museu da Maré*

O Museu da Maré é um conjunto de ações voltadas para o registro, preservação e divulgação da história das comunidades faveladas da Maré, em seus diversos aspectos, sejam eles culturais, sociais e econômicos.  As ações propostas no presente projeto pretendem o desenvolvimento do Plano Museológico, contemplando o programa institucional, de acervos, de exposição, educativo cultural, de pesquisa e de divulgação da iniciativa.   O Museu da Maré envolve vários núcleos de ação que têm como centro a exposição permanente, mas que se desdobra em outras ações como a organização de acervo documental; a realização de pesquisa em história oral; o desenvolvimento de atividades lúdicas e educativas, como o grupo de contadores de histórias; além da realização de outros eventos diversos como exposições itinerantes, seminários, oficinas e produção de material temático.  Os projetos desenvolvidos pelo programa visam favorecer a criação de canais que fortaleçam os vínculos comunitários entre os moradores, orientados principalmente pela identidade histórica e cultural.

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Museu da Maré

O mais interessante é a resposta dada pela comunidade que se entusiasma com a idéia de se fazer representar num museu e de se expressar e se expor para a cidade através dessa linguagem.  Assim muitos moradores têm dado sugestões, trazido seus objetos, os (re)significando.  Há um processo coletivo em curso do qual está emergindo o Museu da Maré.

O estreitamento das referências temporais se associa ao particularismo espacial. A vivência em um território restrito, sem parâmetros mais abrangentes de pertencimento à cidade, contribui para que o lugar seja o ponto de partida e de chegada da existência. Morador da comunidade, o sujeito não se sente, na maioria das vezes, cidadão da polis, do mundo.
A superação dessa realidade passa pela construção de um círculo virtuoso, sustentado por ações integradas e de longo prazo, onde a superação das limitações locais e existenciais constitui-se em melhoria continuada da qualidade de vida dos moradores da Maré.

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Histórico do Museu

O Museu da Maré, fundado no dia oito de maio de 2006, surgiu a partir do desejo dos moradores de terem o seu lugar de memória, um lugar de imersão no passado e de olhar para o futuro, na reflexão sobre as referências dessa comunidade, das suas condições e identidades, de sua diversidade cultural e territorial.   A intenção do Museu da Maré é romper com a tradição de que as experiências a serem rememoradas e os lugares de memória a serem lembrados, são aqueles eleitos pela versão oficial, “vencedora”, da história e por isso, uma versão que limita as representações da história e da memória de grandes parcelas da população.  Por isso, o Museu da Maré, como uma iniciativa pioneira no cenário da cidade, se propõe a ampliar o conceito museológico, para que este não fique restrito aos grupos sociais mais intelectualizados e a espaços culturais ainda pouco acessíveis à população em geral.   A favela é lugar de memória e por isso nada mais significativo do que se fazer uma leitura museográfica a partir de tal percepção.

Acima de tudo, o principal sentido da criação desse espaço é afirmá-lo como um espaço de encontro. Encontro daqueles que, na diferença, se fazem iguais. Com efeito, a principal característica da Cidade é o fato dela ser o espaço da possibilidade do encontro das diferenças e das semelhanças, o que permite a constituição de identidades plurais, mas, acima de tudo, humanas. Na cidade do Rio de Janeiro, assim como em outras metrópoles brasileiras, todavia, a maioria da população vem estreitando, progressivamente, os seus tempos e espaços existenciais, limitando, assim, as possibilidades de coexistência e de exercício pleno de cidadania.

O Museu consiste portanto numa exposição permanente que propõe a concepção do tempo representada pelo calendário e pelas horas.  Por isso chamamos essa exposição de “Museu-Calendário”.  Apesar de permanente, nela tudo é mutável.  São doze tempos a serem percorridos, representados por expressões e desejos que marcam o percurso da comunidade.  Assim temos o tempo da água, da festa, do trabalho, da criança, do medo, da esperança, entre outros.

* Este texto foi escrito a partir de textos institucionais fornecidos pela direção do CEASM e do Museu da Maré.

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Written by azulejista

julho 29, 2009 às 4:29 pm

Uma resposta

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  1. Parabéns pelo seu trabalho, me será muito útil.

    Elisangela

    setembro 19, 2009 at 7:49 am


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