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de janeiro e agosto de 2009, museu da maré

Maré

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Maré

Localiza-se no Rio de Janeiro. Olhando da Avenida Brasil ou da Linha Vermelha, seus marcos laterais, caminhando por dentro, pode-se entender sua espessura. A Maré fica à margem da Baía da Guanabara, vai da Zona da Leopoldina até um dos acessos à Ilha do Fundão, bem em frente ao Hospital da URFJ. A Maré (da Baia) fez construírem palafitas (habitações precárias suspensas e equilibradas sobre a lama e a água) aqueles imigrantes que vinham do Nordeste nas décadas de 60, 70, 80… A Maré, mesmo tendo nome de mar, tem uma densidade demográfica cerca de 60 vezes maior que a média da cidade do Rio de Janeiro (328 hab/Km²). Reúne cerca de 132.000 habitantes, e com uma média de 3.4 habitantes por domicílio. O processo intenso de ocupação do território aconteceu tanto por invasão, que começa já na década a de 40 com a construção da Avenida Brasil, visto que os operários não receberam moradia adequada e foram aos poucos ocupando os arredores; e também por forças do Estado que deslocou até a década de 90 populações de outras regiões da cidade (favelas removidas da Zona Sul, por exemplo) ou desabrigados de áreas precárias. As próprias palafitas foram substituídas ao longo de cerca de 30 anos por aterramentos feitos pelos moradores ou também por projetos estatais, que “emendavam” as ilhas que caracterizavam o local colocando entulho sobre o mangue de onde surgiriam mais e mais casinhas. Atualmente a Maré vive um processo de verticalização das residências, chegando a 5 ou 6 andares, processo visível ao curso de poucos anos, mesmo que algumas ruelas estreitas dificultem a circulação.

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As comunidades e sua forma de organização urbana são bastante heterogêneas. Chamam-se Baixa do Sapateiro, Bento Ribeiro Dantas, Conjunto Esperança, Conjunto dos Pinheiros, Marcílio Dias, Morro do Timbau, Nova Holanda, Nova Maré, Parque Maré, Parque União, Praia de Ramos, Roquete Pinto, Rubens Vaz, Vila dos Pinheiros, Vila do João. Estes são seus “nomes oficiais”, há muitos outros atribuídos, que são apelidos que delatam as características do lugar que denominam, como o “Fogo cruzado”, as “Casinhas”, entre outros, e outros que se relacionam diferentemente ao imaginário mediático da cidade do Rio, como “Salsa e Merengue”.

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Grande parte da região era tomada por pequenas indústrias e comércio, cujo fechamento paulatino ao longo dos anos trouxe mudanças na ocupação do território, tanto nas cercanias da Av. Brasil como próximo ao Morro do Timbau e Nova Holanda. É intensa a ocupação do tráfico de drogas na região, e a rivalidade entre as facções inibe a circulação dos moradores entre os espaços locais. Enquanto que algumas “fronteiras” são impostas fisicamente (Linha Amarela, por exemplo), outras são embatidas na trama do próprio território alterando as condições de sociabilidade ou ocupação do espaço público, distintas em cada comunidade.

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Written by azulejista

outubro 11, 2009 às 8:57 pm

Uma resposta

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  1. Oi Cris,

    estou trabalhando para o projeto Arte In.Loco lá no Museu da Maré e ontem passei uma tarde no ADOV com a Marli, q é uma arquivista exemplar! Vou trabalhar com imagens do arquivo e queria te dizer q o q li sobre o ADOV e o Museu no “Arquivos do Presente” foi uma super ajuda/introdução. Belo trabalho! beijo grande Joana

    joana traub cseko

    março 18, 2010 at 4:36 pm


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