arquivos do presente

de janeiro e agosto de 2009, museu da maré

Intervenções

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Intervenções artísticas

O projeto Arquivos do presente tomou como ponto de partida a “residência” artística proposta pelo Edital Interações Estéticas, e adicionou a “intervenção, convidando mais três artistas a proporem ações na Maré. A participação dos artistas aconteceu em três atividades distintas, duas delas abertas ao público: Encontro 1. Conversa de pesquisa: uma entrevista realizada com o Grupo de pesquisa em artes; Encontro 2. Participação nas Conversas com Arquivos: apresentação de imagens e vídeo da produção artística do artista, participando um profissional atuante na comunidade para debater e colaborar com a produção do artista, um evento aberto ao público em geral com realizado no Museu da Maré; Encontro 3. Ação ou intervenção: realização de uma proposição no bairro ou na Casa de Cultura; o artista deveria conceber uma ação ou intervenção para ser realizada na comunidade a partir de sua convivência anterior ou durante o projeto.

Foram realizadas atividades agendadas com alunos do CEASM por parte de Elisa Castro e Tiago Rivaldo, e duas tardes de intervenções artísticas com a participação deles e de Guga Ferraz.

Elisa realizou o projeto “Quais são as suas respostas?”: a produção de um trabalho de arte coletivo realizado a partir de seus trabalhos anteriores, e através da formulação de perguntas. Elisa realizou entre 2007 e 2008 uma intervenção urbana com uma pichação pública da pergunta “Qual seu medo?” Ao lado da pergunta Elisa escrevia o número de telefone que dava acesso (quase como código) a uma secretária eletrônica que recebia os recados anônimos deixados por aqueles motivados pela pergunta. Elisa expunha então, em exposições de arte, algumas fotografias das perguntas espalhadas por muros da cidade do Rio de Janeiro e a própria secretária eletrônica, performatizando os medos de vozes desconhecidas. Na Maré, Elisa resolveu atualizar o projeto, e a pergunta do medo ia se transformando em “Qual seu desejo?” quando ela decidiu abrir o processo criativo, segundo conversas com o amigo e artista Pedro França, apostando na formulação de perguntas por parte dos participantes das atividades. Elisa expôs então que tipo de interrogação poderia ser interessante, e o que elas poderiam motivar. As perguntas foram expressas em camisetas pintadas à mão e faixas de ráfia que eram espalhadas pelas ruas, postes, muros da Maré.

Perguntas elaboradas

“Qual a sua hora?”, “Qual a sua música?”, “O que você espera?”, “Como você se vê?”, “O que te mobiliza?”, “Qual a sua busca?”, “Qual o seu lugar?”, entre outras.

Tiago Rivaldo foi responsável por conduzir algumas experiências que denominou “Foto sem foto”, usando a câmera obscura (em grande formato, e em formato portátil) e usando espelhos. Trabalhava a experiência da construção do dispositivo fotográfico sem, contudo, fixar imagens. Ele queria fazer pensar a produção de imagens num território em que ver e ser visto, registrar e gravar pelo dispositivo fotográfico ou videográfico podem ser provas de um fato ou de um pertencimento – por que a fotografia pode funcionar como índice daquilo que aconteceu, herança indelével do dispositivo. Os encontros que ele organizou trabalhavam a linguagem fotográfica através de exercícios práticos. O artista pretendia abordar assuntos como retrato e paisagem para estimular reflexão em torno de questões como identidade e território. As questões de produção de imagem conectam-se de uma forma à pesquisa de fotografia que realizei visto que as imagens e a visibilidade podem ser associadas na comunidade à capacidade de “conhecer” e de fazer-se saber dos processos vividos na comunidade. Trazendo a experiência para o corpo do participante, Tiago produziu uma caixa como câmera-obscura que deveria ser manipulada por dois participantes ao mesmo tempo, produzindo uma espécie de deriva ou de dança combinada entre ambos, que poderiam se ver (diretamente, dentro da caixa) e ver a paisagem atrás de si (dentro da caixa, por transferência de imagem).

Guga Ferraz levou o projeto “Pipavoada”, uma ação de soltar pipas como as crianças soltam normalmente transformando a ação em ação artística por uma modificação sutil, e com isso abrindo o debate sobre alguns limites entre as práticas da vida e seu deslocamento para um campo de significação artístico. O objetivo da “Pipavoada”, um pouco diferente da brincadeira original é, assim que as pipas sobem juntas ao céu, ordenadas ortogonalmente, que elas sejam soltas todas ao mesmo tempo, observando seu percurso no céu. Na Maré a brincadeira de soltar pipa é bastante comum, acontece nas ruas e nas lajes das casas. É uma brincadeira barata e que pode ser feita a qualquer momento do dia, dependendo, claro, das condições favoráveis do clima! Na tarde de intervenções compramos as pipas ali mesmo no Morro do Timbau, e elas vinham carimbadas com o selo da pessoa que as fabrica. Contaram-nos que um senhor faz as tradicionais “Pipas Cebolinha” na Praça do Dezoito, na Baixa do Sapateiro. As pipas escolhidas tinham desenhos geométricos e com o passar da tarde agregavam-se outros “pipeiros” que personalizavam suas pipas. Na tarde de intervenções foram distribuídas cerca de 30 pipas, porém o projeto de soltar as pipas não aconteceu como o planejado. Foi interessante, contudo, o ambiente criado de aprendizagem de montar o cabresto e aprender a soltar pipa, visto que os meninos que participaram da ação se tornaram essenciais para ensinar os demais participantes.

Written by azulejista

outubro 11, 2009 às 8:37 pm

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