arquivos do presente

de janeiro e agosto de 2009, museu da maré

Grupo de pesquisa

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Grupo de Pesquisa

De que forma o arquivo proporciona ações de pesquisa?

De que forma a pesquisa corrobora na constituição de novos arquivos?

A partir da experiência no Arquivo de emergência, A Arquivista e Cristina Ribas conceberam um Grupo de Pesquisa em Artes. A pesquisa é central no laboratório dos arquivos. Neste projeto fomos motivados a pesquisar a produção artística e criativa atual, ou seja, o acontecimento da arte e suas articulações com o espaço público e a sociedade, considerando o Rio de Janeiro como lugar geográfico. Desta forma, a prática de pesquisa funciona como uma das ferramentas no laboratório dos arquivos e atualiza o exercício da pesquisa como um diálogo vivo com os interesses de estudo e investigação. Então, a partir do estudo contextual e da definição de um escopo, desenvolvemos a metodologia que conduzirá as ações, tendo em mente que a proximidade afetiva é tão importante quanto a produção de materiais e documentos.

A pesquisa é uma invenção, uma criação. As conexões que promove podem ser inéditas. As conexões são visões possíveis, e por isto, constroem mundos possíveis. A pesquisa é uma invenção para a qual um método se inventa, e também seus limites, suas formas, sua apresentação. É interessante pensar como a pesquisa pode ser um momento em que a aprendizagem se torna uma troca, constituindo uma aprendizagem colaborativa, em que todos estudam e todos ensinam.

No Arquivos do Presente, o Grupo de Pesquisa em Artes foi formado por Cristina Ribas, Beatriz Lemos e Dirceu Oliveira, com algumas participações de Heder Silveira e Elisa Castro. Durante cerca de dois meses e meio realizamos reuniões semanais com leitura e fichamento de textos, que estavam disponíveis na exposição Arquivos do Presente. São textos de práticas de arte contemporânea; pesquisa e práticas de arquivo; investigações conceituais que problematizam a articulação criação artística e sociedade ou comunidades; a formação do museu; entre outros. As reuniões eram também o momento de desenho de ações de pesquisa, levadas a cabo por cada pesquisador, sendo elas: estudo de casos e escolha do foco de pesquisa, realizações de entrevistas, coleta material documental e informativo, visitas a exposições, produção de resenhas críticas e sistematização do material produzido.

Autores lidos: Alba Zaluar, Bruce Ferguson, Cristina Ribas, Hélio Fervenza, Ricardo Basbaum, Ronaldo Brito, Suely Rolnik,

Existem inúmeras formas de arquivar, pesquisar, memorar… As dimensões imateriais de cada um são também ilimitadas. De certa forma as pesquisas levadas a cabo nesta edição “Arquivos do Presente” trazem ao(s) arquivo(s) uma dimensão acontecimental. Conhecer o ADOV foi muito importante como instrumento para perceber a Maré em seus arquivos, naquilo que está guardado e que se refere à atualidade, combinando-se com as derivas nas comunidades e nas ruas, com os relatos e conversas e outros intercursos…

Diante de uma grade quantidade de material um problema recorrente pode se apresentar: a pesquisa, assim como o arquivo, deve submeter uma escolha deste manancial e deve, portanto, produzir um discurso. O desafio dos arquivos, neste sentido, é manter a sua força estratégica sem desviar para outros elementos que não colaboram na leitura ou no acompanhamento crítico deste discurso. Inclusive por que a formação material (o registro, o impresso, …) são sempre excedidos por aquilo que os inicia, ou seja, as palavras, encontros, emoções, sonhos, imprevistos, e tudo mais o que será de fato “traduzido” pelo pesquisador poderão ser a sua própria especialidade, ou sua estratégia. A esperteza pode estar na forma de relatar uma experiência e na forma de inseri-la politicamente em um contexto à qual os vetores sociais, políticos, econômicos e culturais estão vinculados. Em relação às pesquisas desenvolvidas por Cristina, Beatriz e Dirceu, a pesquisa se faz então de uma ciência de argumentos, não opinativa, mas uma razão essencialmente sensível de exprimir contextualizando como é que emerge a intenção poética naqueles criadores, para mobilizarem suas comunidades de signos e sentidos, uma linguagem e uma república flexível nas cercanias de uma vida comum.

**

Equipe:

Cristina Ribas

Beatriz Lemos

Dirceu Oliveira

Entrevistas realizadas

Beatriz Lemos – Helmut Batista, Romano, Benoit Lievens

Dirceu Oliveira – Pedro Sánchez, Tahian Bhering, Pedro Lobianco

Cristina Ribas – Aude Chevalier, Davi Marcos, Francisco Valdean, Marli Damascena, Naldinho Lourenco, Ratao Diniz,

Período:

dois meses

ENTREVISTAS

Written by azulejista

maio 6, 2009 às 3:47 am

Uma resposta

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  1. Está tudo muito lindo, Cris! A única coisa que esta faltando é que todos da maré tenha conhecimento disso, principalmente os estudantes. Tenho muito orgulho de particiapar desse grupo.

    Beijos,

    Dirceu.

    Dirceu Oliveira

    junho 27, 2009 at 3:13 am


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