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de janeiro e agosto de 2009, museu da maré

Manifesto Maré

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Assinem e divulguem!!

NOTA PÚBLICA Em solidariedade ao povo da Maré
A VIOLÊNCIA NA MARÉConfrontos armados, participação de policiais em ações do tráfico e descaso de autoridades refletem uma política de segurança que desconsidera a vida do morador da favela
Na madrugada do dia 30 de maio de 2009, um grupo de traficantes da Baixa do Sapateiro iniciou a tentativa de tomar os pontos de vendas de drogas controlados por outra facção criminosa em uma comunidade vizinha, a Vila dos Pinheiros.. Oito escolas e cinco creches ficaram fechadas por mais de uma semana, deixando cerca de 10 mil alunos sem aula. Desde então, moradores do conjunto de favelas da Maré vivem uma rotina de extrema violência que é muito pouco divulgada nos meios de comunicação. As autoridades, por sua vez, permanecem com uma postura que é de descaso e, diante do apoio de agentes do Estado nas ações criminosas, também de conivência.
Os confrontos armados são diários. O movimento do comércio é constantemente interrompido e há diversos relatos de casas invadidas, quedas de luz, além de um altíssimo número de mortos e feridos. Nos primeiros quinze dias de conflitos na Maré, em junho, quando a imprensa chegou a dar algum espaço para a situação vivida pelas comunidades, 19 mortes foram noticiadas. No entanto, um levantamento entre moradores aponta para mais de 50 mortes desde o início dos confrontos, há quase quatro meses. Segundo F.S.C., moradora do Morro do Timbau, as pessoas têm medo de sair de suas casas “Passei uma semana sem poder ver meus pais, que moram na Vila do João. Minha mãe já ficou vários dias sem sair para trabalhar e às vezes tem que voltar no meio do caminho, pois os tiroteios recomeçam e ela fica exposta”.
Um dos mais graves relatos aponta que policiais teriam participado da invasão à Vila dos Pinheiros. Moradores afirmam que três veículos blindados da Polícia Militar – os chamados caveirões – foram ‘alugados’ para traficantes de uma das facções envolvidas. Na Maré, esta é uma informação naturalizada.. “Todo mundo aqui sabe disso. Várias pessoas viram”, afirma R.A., morador do Conjunto Esperança.
A denúncia do aluguel de caveirões chegou até as autoridades e foi noticiada por um grande jornal do Rio de Janeiro, mas não foi suficiente para iniciar um debate amplo sobre a situação de extrema violência na Maré e sobre a responsabilidade do governo. Pelo contrário assim que a notícia veio a público, a Secretaria de Segurança se apressou em desqualificá-la, em contradição evidente com falas anteriores do secretário José Mariano Beltrame, que por diversas vezes já havia ressaltado a importância de denúncias anônimas para as investigações policiais. Nem mesmo o novo comandante da Polícia Militar, Mario Sergio Duarte, que já esteve à frente do 22º Batalhão, arriscou um pronunciamento responsável.
A reação da cúpula da segurança do estado – negando os fatos antes de investigá-los – reflete a tônica deste governo descaso com os relatos dos moradores das comunidades pobres e acobertamento de ações criminosas praticadas pela corporação policial. O silêncio do governador Sérgio Cabral é, indiscutivelmente, um reflexo dessa indiferença com que os governantes tratam os bairros pobres do Rio de Janeiro, mas pode esconder também uma estratégia perversa a do “quanto pior, melhor”. Depois de meses de ausência deliberada, não seria surpresa se o Estado aparecesse na Maré vendendo como “solução” a realização de mais uma mega-operação policial – como a do Complexo do Alemão, que em 2007 levou o terror às comunidades e resultou na chacina de 19 pessoas em apenas um dia.
Em menos de quatro meses, entre maio e agosto daquele ano, foram registrados pelo menos 44 mortos e 81 feridos durante as incursões policiais no Alemão. Escolas e creches também foram fechadas, e os moradores ficaram sem poder sair de casa. Constata-se objetivamente que o efeito prático das ações policiais violentas do atual governo do Rio de Janeiro é o mesmo dos tiroteios entre traficantes o desrespeito à vida e à liberdade do povo das favelas.
No último dia 12 de julho, o jornal O Globo publicou a matéria “Covil do Tráfico”, em que a cúpula da segurança do estado, ao apontar o Alemão como reduto importante do tráfico de drogas, reconhece a completa ineficácia da ação de dois anos atrás. No entanto, as autoridades prometem repetir as mega-operações policiais, até mesmo como pré-requisito para a implantação de um modelo que vem sendo vendido como novo paradigma na política de segurança do Rio de Janeiro e que ganha contornos eleitoreiros a chamada política “de pacificação”.
Ao contrário do que é pintado no discurso oficial, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não rompem com a lógica das políticas de segurança que vêm sendo implementadas seguidamente pelos últimos governos. São diversos os casos documentados de agressão física e de abuso de autoridade envolvendo agentes das UPPs. Além disso, com base em conceitos higienistas e de superioridade de classe, proíbe-se arbitrariamente certas formas de organização social e cultural construídas historicamente nas favelas. Ou seja, a atuação da polícia permanece estruturada em uma relação tensa de controle e confronto com a população negra e pobre, com a restrição de liberdades e a imposição de uma autoridade baseada na coerção de suas armas. De fato, as diversas formas de violência policial são consequência da secular orientação ao militarismo e à brutalidade dentro de comunidades pobres.
Nos últimos anos, o Estado vem seguidamente realizando ações policiais violentas e desastrosas na Maré. Foram muitos casos emblemáticos, mas apenas alguns poucos se tornaram públicos. Em dezembro de 2008, o pequeno Matheus Rodrigues, de oito anos, morreu na porta da casa de sua mãe quando saía de casa para comprar pão e foi atingido no rosto por um tiro de fuzil disparado por policiais. Menos de cinco meses depois, em abril deste ano, o jovem Felipe Correia, de 17 anos, conversava com amigos há cerca de dez metros da casa de sua família. Quatro policiais militares sem uniforme dispararam apenas um tiro de fuzil, que acertou a cabeça do rapaz. Os dois crimes envolvem policiais do 22º Batalhão, o mesmo que é acusado de alugar o caveirão.
Casos como esses trazem a certeza de que o caminho para o fim do sofrimento dos moradores não pode, sob nenhuma hipótese, passar por operações policiais violentas. No último domingo, dia 20, um ato contra a violência reuniu 600 pessoas e percorreu as comunidades da Maré afetadas diretamente com os confrontos dos últimos meses. A manifestação, não à toa, foi realizada no dia em que o menino Matheus e o jovem Felipe fariam aniversário.
As organizações e indivíduos abaixo-assinados se somam em solidariedade ao povo da Maré e reafirmam, categoricamente, que não aceitam mais uma política de segurança que encare a favela como território inimigo e que obedeça a uma lógica de exclusão, em que se governa apenas para alguns e se reserva a outros a violência da repressão, do controle e, frequentemente, do extermínio.
– ANF – AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DAS FAVELAS
– APAFUNK
– CENTRAL DE MOVIMENTOS POPULARES
– CENTRO DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS DE PETRÓPOLIS – CDDH
– COJIRA – COMISSÃO DE JORNALISTAS PELA – IGUALDADE RACIAL
– CONLUTAS – RJ
– CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL – 7ª Região-RJ
– DDH – DEFENSORES DE DIREITOS HUMANOS
– IBASE – INSTITUTO BRASILEIRO DE ANÁLISES SOCIAIS E ECONÔMICAS
– JUBILEU SUL
– JUSTIÇA GLOBAL
– INTERSINDICAL
– MORENA-CB – MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO NACIONALISTA – CÍRCULOS BOLIVARIANOS
– MANDATO MARCELO FREIXO
– MST – MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA
– NIAC – NÚCLEO INTERDISCIPLINAR DE AÇÕES PARA CIDADANIA, DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – UFRJ
– PACS – POLÍTICAS ALTERNATIVAS PARA O CONE SUL
– PROJETO LEGAL
– PLATAFORMA DHESCA BRASIL
– PROJETO CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE E ATRAVÉS DO DOMÍNIO AUDIOVISUAL
– REDE DE COMUNIDADES E MOVIMENTOS CONTRA A VIOLÊNCIA
VISÃO DA FAVELA BRASIL
Abelardo Lima
Adriana dos Santos Fernandes – Cientista Social e professora, moradora de Santa Teresa
Agnaldo Fernandes – Técnico-administrativo em Educação da UFRJ
Alessandra Maletzki Ramasine
Alexandre Campbell Ferreira – Psicólogo – Niterói
Aline Barbosa – Psicóloga
Ana Claudia Tavares – Centro de Assessoria Popular Mariana Criola
André Fernandes – Secretário executivo da ANF – Agência de
Notícias das Favelas
Andrei Bastos – JornalistaAngelica Alves Pereira Da Silva
Angela Rabello Maciel de Barros Tamberlini – Educadora, UFF
Angelica Alves Pereira Da Silva – Professora
Angelica Basthi – Jornalista – COJIRA – RIO
Arneide Andrade – ICORES – Instituto Coração de Estudante/ PRECE – Programa de Educação em Células Cooperativas
Arthur Moreira – Coletivo Avante! e do PSOL/ES
Bárbara Ferreira Arena – Editora — São Paulo
Basse Silber
Breno Pimentel Câmara – Coordenador adjunto do Observatório de Conflitos Urbanos na Cidade do Rio de Janeiro (UFRJ)
Bruno Deusdará – Professor-UERJ
Caio Lopes Amorim – Editor da Revista Vírus Planetário – Coletivo Nacional Levante
Carlos Eduardo Cunha Martins Silva – Advogado
Carlos Eduardo L. S. Norte – Estudante da UFRJ/Membro da Comissão de Estudantes e Justiça do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro
Carlos Douglas Martins Pinheiro Filho – Editor da Revista Ensaios
Carlos Pronzato – Cineasta/documentarista –Salvador/Bahia
Carolina Machado Coelho
Cláudia Teixeira Cunha
Claudia Kras – Estudante de História UFRJ
Claudio Rezende Ribeiro – Professor universitário
Daniel Bezerra de Oliveira – Advogado, DDH
Daniel Nunes Ferraz
Dodora Mota – SEPE/RJ
Edson Dias Santos
Eduardo Tomazine Teixeira – Pesquisador do NuPeD-UFRJ
Elisa Monteiro – Jornalista, militante do Partido Socialismo e Liberdade
Elzira Vilela – Coletivo Contra Tortura – São Paulo – Médica – Assessora de Saúde MST-São Paulo
Érica Calil Nogueira – Estudante
Fabio Simas – Assistente Social/Organização de Direitos Humanos Projeto Legal
Fabrice Clerc – Renaud
Fernanda Chaves – Jornalista, RJ
Fernando Lobo – Blog do Lobo
Francini Lube Guizardi – Laboratório de Educação Profissional em Gestão em Saúde / Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio – EPSJV – Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ
Francisco Marcelo da Silva – Pesquisador do Observatório de Favelas RJ e morador da Vila do João – Maré
Gabriela Lema Icasuriaga – Professora ESS/UFRJ
Givanildo Manoel da Silva – Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – SP
Gizele Martins – Estudante de Jornalismo
Guilherme Marques “Soninho” – Mestre em Planejamento Urbano e Regional
Gustavo Mehl – Jornalista Justiça Global
Isabel Mansur Figueiredo – Justiça Global
Isabela Saud Bueno – Justiça Global
Ísis Ferraz de Moura – CRESS – RJ
Itamar Silva – Jornalista, líder comunitário e coordenador do IBASE
Jean Pierre Leroy – Assessor da Área de Meio Ambiente e Desenvolvimento da Fase
Joana Ivarsson Vitório
João Carlos Pivatto Lipke – Bolsista de pós-graduação em Psicologia do NIAC/UFRJ
João Márcio Mendes Pereira – Historiador, Rio de Janeiro/RJ
José Rodrigues de Alvarenga Filho – Colaborador das Comissões de Estudantes e Direitos Humanos do CRP do Rio de Janeiro (CRP-05)
José A. Andery Neto – Tribunal Popular – SP/estudante
Josinaldo Medeiros
Judy Caldas – Abogada de derechos humanos
Juliana Farias – Socióloga – NAI / UERJ
Julio Cesar Condaque – CONLUTAS, Professor da FAETEC
Leonardo de Abreu Voigt – Membro dos núcleos de estudos e pesquisas NuFiPE – UFF (Núcleo de Filosofia, Política e Educação) e OBFF – UFF (Observatório Fundiário Fluminense)
Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense.
Luciana da Silva Andrade – Profa. e Dra. PROURB-FAU-UFRJ
Luciana Vanzan da Silva – Colaboradora da Comissão de Direitos Humanos do CRP/RJ
Luis Henrique Nascimento Gonçalves – Coordenador geral da Metara Comunicação, morador de Santa Teresa
Lujan Maria Bacelar de Miranda – Intersindical
Marcelo Badaró Mattos – Professor de História – UFF
Marcelo Braga Edmundo – Membro da Direção Nacional da Central de Movimentos Populares
Marco Antonio Perruso – Prof. Adjunto Ciências Sociais UFRuralRJ
Marcos Teixeira
Marcus Castanhola – 4a. Via
Maria Paula de Oliveira Bonatto
Mariana Gomes Caetano – Estudos de Mídia (UFF) – Revista Vírus Planetário
Mariana Vieira – Estudante, Rio de janeiro/Rj
Marlana Rego Monteiro dos Santos – Fórum de Educadores Populares
Matheus Thomaz – Assistente Social da Fundação Municipal de Saúde de Niterói
Mc Leonardo – APAFUNK
Michel Robim – Teraputa psicocorporal//Coordenador e membro do comitê do Rio Abierto Iternacional/morador de Cosme Velho
Michelle Ferreti
Miriam Krenzinger A Guindani – Professora – Núcleo Interdisciplinar de Ações para Cidadania-NIAC/DIUC-PR5 (UFRJ)
Moctezuma Pinto – Mov. Fé e Política Litoral / Macaé RJ
PT / Macaé RJ
Monique Cruz – Estudante de Serviço Social da UFRJ – Moradora do Complexo de Manguinhos
Murah Azevedo – Diretor Presidente (ONG) Projeto Conscientização sobre e através do Domínio Audiovisual
Pâmella Passos – Professor de História (IFRJ)
Patrícia Birman – Professora/UERJ
Paula Máiran – Jornalista – Assessoria de Comunicação do Mandato Marcelo Freixo (PSOL) – ALERJ
Paula Kapp
Paulo Koatz Miragaya – Estudante de Psicologia da UFRJ
Morador de Laranjeiras
Pedro Henrique Pedreira Campos – Professor de História e historiador
Rafaela Selem Moreira – Advogada -Mestranda na PUC-Rio
Moradora do Flamengo
Renata Lira – Justiça Global
Renata Souza – Moradora da Maré
Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira – Mestrando em Historia (UFF)
Rodolfo Noronha – Professor
Rogério Almeida de Santana –
Rubem Antunes Brasil – Secretário de Município da Agricultura e Pecuária de Dilermando de Aguiar
Sandra Martins – Jornalista, membro da Cojira-Rio/SJPMRJ
Sandra Quintela – Economista, PACS
Samuel Mello Araujo Júnior – Professor universitário – UFRJ
Sergio Kalili – Jornalista – Justiça Global
Sheila Corrêa da Silva
Simone da Silva Ribeiro Gomes
Tania Pacheco – Militante do GT Combate ao Racismo Ambiental e pesquisadora – Rio de Janeiro
Tania Kolker – Psicanalista, membro do Grupo Tortura Nunca Mais do RJ
Thais Della Nina Tibiriçá
Thiago Vieira de Sena Silva – Estudante de Artes Plásticas (UFRJ), Educador, Morador da Maré
Tina Montenegro – Historiadora da arte/Rio de Janeiro
Tomás Fernandes Nazareth Prisco Paraiso Ramos – Assessor Jurídico do Mandato Marcelo Freixo
Valquiria Marques Azevedo dos Santos
Verônica T. de Freitas – Estudante de Direito, Militante do DPQ
Vladimir Santafé – Professor de Filosofia, GEP (Grupo Educação Popular)
Vivian Fraga – Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro
Viviane Nascimento – Estudante

PARA ASSINAR ESSE MANIFESTO ENVIE UM EMAIL PARA

manifestomare@gmail.com

Written by azulejista

maio 25, 2010 às 11:34 am

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